O tronco: a história da redenção
Rebelião no céu
antes da Criação · Crença oficial nº 8
Apocalipse 12 descreve uma guerra no céu em que Miguel e seus anjos vencem o dragão, a antiga serpente chamada diabo e Satanás, que é lançado à terra com os seus anjos; Isaías 14 e Ezequiel 28 falam de alguém que, perfeito, quis se elevar e foi derrubado. Ap 12:7-9; Is 14:12-14; Ez 28:12-17, paráfrase
A crença 8 ensina que o conflito nasceu no céu: um ser criado e livre, Lúcifer, se exaltou, virou Satanás (o adversário) e arrastou parte dos anjos. A disputa é sobre o caráter de Deus, a sua lei e o seu governo, diante de todo o universo. Por isso, na literatura adventista, Deus não o eliminou de imediato: lealdade de amor só se conquista com um governo que se mostra justo, e isso leva tempo. A Terra virou o palco dessa resposta. Isaías 14 e Ezequiel 28 falam a reis humanos; a leitura vê por trás deles quem os inspirava. Miguel é lido como Cristo, ponto que não está nas 28 crenças.
Sem data e sem registro fora da Bíblia: o episódio antecede a Criação.
A Criação e o sábado
sem data · Crença oficial nº 6
E, havendo Deus terminado no dia sétimo a sua obra, que fizera, descansou nesse dia de toda a sua obra que tinha feito. E abençoou Deus o dia sétimo e o santificou; porque nele descansou de toda a obra que, como Criador, fizera.
Gn 2:2-3 (ARA)
A crença 6 afirma que Deus criou o universo e, numa criação recente, em seis dias literais, fez a Terra e tudo o que nela há, descansando no sétimo. Esse descanso instituiu o sábado como memorial perpétuo da Criação (crença 20; Êx 20:8-11). O sábado, do hebraico shabbat, descanso, é o sétimo dia da semana e vai do pôr do sol de sexta ao de sábado. O homem e a mulher vieram por último, feitos à imagem de Deus e com liberdade de escolha; o mundo concluído era muito bom.
A Bíblia não dá a data da Criação e a igreja não fixa uma; a crença 6 diz só que foi recente. A semana de sete dias não segue nenhum ciclo astronômico: a literatura adventista a vê como herança da primeira semana.
A queda e a promessa
sem data · Crença oficial nº 7
Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e o seu descendente. Este te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar.
Gn 3:15 (ARA)
A crença 7 diz que o primeiro casal, criado livre, desobedeceu e negou a sua dependência de Deus: a imagem divina ficou marcada, a morte entrou, e os descendentes herdam fraquezas e tendência ao mal. A crença 8 acrescenta que o adversário da rebelião no céu trouxe o conflito para cá ao levar Adão e Eva ao pecado; Ap 12:9 identifica a serpente com ele. Deus, porém, não os abandona: em Gênesis 3 promete um descendente da mulher que ferirá a cabeça da serpente, ferido por ela no calcanhar. A leitura adventista vê aí o primeiro anúncio de Cristo e da cruz.
O Dilúvio
sem data · Crença oficial nº 8
Diante da maldade crescente, Deus decide varrer a humanidade com o dilúvio; Noé, que achou graça diante dele, constrói a arca e se salva com a família, e depois Deus firma a aliança de nunca mais destruir a terra por águas, com o arco nas nuvens como sinal. Gn 6–9, paráfrase
Gênesis conta que a maldade humana cresceu até Deus decidir limpar a Terra com a água; Noé construiu a arca e se salvou com a família e os animais. A crença 8 trata o Dilúvio como o desfecho global da desordem trazida pelo pecado, como Gênesis 1–11 apresenta. Na leitura adventista, ele mostra que o pecado tem consequências, que Deus avisa e oferece escape, e a aliança que veio depois, com o arco nas nuvens, promete que a Terra não será mais destruída assim. Jesus usou os dias de Noé como figura da sua volta (Mt 24:37-39).
A Bíblia não data o Dilúvio e a igreja não fixa data; as genealogias de Gênesis 5 e 11 sustentam estimativas que variam. Relatos de um grande dilúvio aparecem em outras culturas antigas, como o Épico de Gilgámesh.
Abraão e a aliança
sem data no eixo · Relato bíblico
de ti farei uma grande nação, e te abençoarei, e te engrandecerei o nome. Sê tu uma bênção! Abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; em ti serão benditas todas as famílias da terra.
Gn 12:2-3 (ARA)
Deus chama Abrão a sair da sua terra e promete fazer dele uma nação e abençoar nele todas as famílias da terra. Abraão crê, e a fé lhe é creditada como justiça (Gn 15:6): a salvação pela fé aparece antes da lei dada no Sinai. A leitura adventista segue o fio da promessa de Gênesis 3:15, que se estreita da humanidade a uma família e depois a um Descendente. Paulo diz que esse Descendente é Cristo (Gl 3:16) e que são herdeiros de Abraão os que são de Cristo (Gl 3:29).
O texto não dá o ano. As estimativas, feitas pelas genealogias bíblicas e pela arqueologia, ficam entre cerca de 2100 e 1800 a.C.
Êxodo, a lei e o santuário
sem data no eixo · Relato bíblico
E me farão um santuário, para que eu possa habitar no meio deles. Segundo tudo o que eu te mostrar para modelo do tabernáculo e para modelo de todos os seus móveis, assim mesmo o fareis.
Êx 25:8-9 (ARA)
Deus liberta Israel do Egito, entrega os Dez Mandamentos no Sinai e manda construir um santuário, uma tenda móvel, para habitar no meio do povo. A crença 19 vê nos mandamentos os princípios do amor de Deus, válidos em toda época. O santuário seguia um modelo mostrado a Moisés, e Hebreus 8:5 o chama figura e sombra das coisas celestes. O cordeiro sacrificado apontava para Cristo; o sacerdote, para o seu ministério; e o Dia da Expiação, a purificação anual do santuário (Lv 16), para o juízo. É o mapa que a leitura adventista usa para entender 1844.
A data do Êxodo é debatida: 1 Reis 6:1 leva a cerca de 1446 a.C., e parte dos historiadores prefere cerca de 1260 a.C. O quadro não o põe na escala.
Daniel levado à Babilônia
605 a.C. · Relato bíblico
No ano terceiro do reinado de Jeoaquim, rei de Judá, veio Nabucodonosor, rei da Babilônia, a Jerusalém e a sitiou. O Senhor lhe entregou nas mãos a Jeoaquim, rei de Judá, e alguns dos utensílios da Casa de Deus; a estes, levou-os para a terra de Sinar, para a casa do seu deus, e os pôs na casa do tesouro do seu deus.
Dn 1:1-2 (ARA)
O livro de Daniel abre com a primeira ida de Nabucodonosor a Jerusalém: o rei leva utensílios do templo e jovens da nobreza, Daniel entre eles, para serem formados na corte da Babilônia. A leitura adventista começa a sua linha de impérios aqui, com a Babilônia, o primeiro dos reinos das visões de Daniel 2 e 7. É nesse mundo, longe de casa, que Deus dá a Daniel profecias que chegam até o fim da história. O quadro passa a ter escala de anos a partir daqui.
605 a.C. é o ano da vitória de Nabucodonosor sobre o Egito em Carquemis e da sua subida ao trono. Jerusalém seria tomada de novo em 597 e destruída em 587/586 a.C. O terceiro ano de Jeoaquim (Dn 1:1) e o quarto (Jr 25:1) costumam ser harmonizados por contagens de reinado diferentes.
O decreto de Artaxerxes
457 a.C. · Leitura adventista clássica
Sabe e entende: desde a saída da ordem para restaurar e para edificar Jerusalém, até ao Ungido, ao Príncipe, sete semanas e sessenta e duas semanas; as praças e as circunvalações se reedificarão, mas em tempos angustiosos.
Dn 9:25 (ARA)
Dn 9:24-27 anuncia 70 semanas sobre o povo de Daniel e a sua cidade. Pelo princípio dia-ano (um dia profético vale um ano; Nm 14:34; Ez 4:6), são 490 anos; a palavra hebraica traduzida por determinadas traz a ideia de cortadas. A contagem parte da ordem para restaurar e edificar Jerusalém, que a leitura adventista identifica com o decreto de Artaxerxes a Esdras, o qual devolveu à cidade o governo e o culto (Ed 7:11-26). O mesmo ponto de partida abre as 2300 tardes e manhãs de Dn 8:14, das quais as 70 semanas seriam o trecho inicial.
Artaxerxes I reinou de 465 a 424 a.C., e o seu sétimo ano cai em 458/457 a.C. A cronologia adventista (Horn e Wood, 1953) situa a viagem de Esdras na primavera de 457 a.C. e a entrada em vigor do decreto no fim do mesmo ano. Outras leituras contam a partir de outros decretos, como o de Neemias (445/444 a.C.).
O nascimento de Jesus
c. 6–4 a.C. · Relato bíblico
vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para resgatar os que estavam sob a lei, a fim de que recebêssemos a adoção de filhos.
Gl 4:4-5 (ARA)
Jesus nasce em Belém, de Maria, e anjos anunciam o nascimento a pastores (Lc 2). Paulo chama o momento de plenitude do tempo: o descendente prometido em Gênesis 3:15 chega. Pela crença 4, o Filho eterno de Deus se fez também plenamente humano, viveu a tentação como qualquer pessoa e mostrou com perfeição a justiça e o amor de Deus. Na leitura adventista, é a resposta de Deus no próprio campo do conflito: o caráter que o adversário acusou é revelado numa vida humana.
A morte de Herodes, o Grande, é tradicionalmente datada em 4 a.C., e por isso a maioria dos estudiosos situa o nascimento entre 6 e 4 a.C. A contagem de anos desde Cristo foi montada no século VI e errou alguns anos. O texto não dá o dia; o 25 de dezembro é tradição posterior.
O batismo: o Messias ungido
27 d.C. · Leitura adventista clássica
E aconteceu que, ao ser todo o povo batizado, também o foi Jesus; e, estando ele a orar, o céu se abriu, e o Espírito Santo desceu sobre ele em forma corpórea como pomba; e ouviu-se uma voz do céu: Tu és o meu Filho amado, em ti me comprazo.
Lc 3:21-22 (ARA)
Messias e Cristo significam Ungido. A crença 4 cita Dn 9:25-27 como profecia do Messias; a leitura clássica lhe dá data: o Ungido aparece ao fim de 69 semanas (7 + 62), ou seja, 483 anos desde 457 a.C. Como não existe ano zero (depois de 1 a.C. vem 1 d.C.), 457 a.C. + 483 anos dá 27 d.C., e não 26. Nesse ano Jesus é batizado e Atos 10:38 diz que Deus o ungiu com o Espírito Santo. Logo depois ele prega que o tempo está cumprido (Mc 1:15).
Lc 3:1 data o início do ministério de João no 15º ano de Tibério. Contado desde a morte de Augusto, em 14 d.C., dá 28/29 d.C., a datação mais comum entre historiadores. A leitura adventista conta desde a corregência de Tibério com Augusto (c. 12 d.C.), ou pelo calendário civil judaico, e chega ao outono de 27 d.C.
A cruz
31 d.C. · Crença oficial nº 9
E Jesus, clamando outra vez com grande voz, entregou o espírito. Eis que o véu do santuário se rasgou em duas partes de alto a baixo; tremeu a terra, fenderam-se as rochas;
Mt 27:50-51 (ARA)
A crença 9 ensina que, na vida de obediência, na morte e na ressurreição de Cristo, Deus proveu o único meio de expiar o pecado (pagar o seu preço) e mostrou a todo o universo o seu amor e a justiça da sua lei. Dn 9:26-27 fala de um Ungido que seria morto e de um sacrifício que cessaria na metade da semana. A leitura adventista vê aí a cruz no meio da 70ª semana, na primavera de 31 d.C., e no véu rasgado o fim do valor dos sacrifícios de animais, que apontavam para Cristo: o tipo encontrou o antítipo, a sombra deu lugar à realidade (Hb 10:1). O ano 31 vem desse cálculo; a crença 9 não o fixa.
O Novo Testamento situa a crucificação sob Pôncio Pilatos, e o historiador romano Tácito a registra no reinado de Tibério (Anais 15.44). Historiadores costumam datá-la em 30 ou 33 d.C.; 31 vem da cronologia das 70 semanas.
A ascensão e o santuário celestial
31 d.C. · Crença oficial nº 24
Ora, o essencial das coisas que temos dito é que possuímos tal sumo sacerdote, que se assentou à destra do trono da Majestade nos céus, como ministro do santuário e do verdadeiro tabernáculo que o Senhor erigiu, não o homem.
Hb 8:1-2 (ARA)
Quarenta dias depois de ressuscitar, Jesus sobe ao céu à vista dos discípulos (At 1:3, 9-11). A crença 24 ensina que, na ascensão, ele foi empossado como sumo sacerdote e começou o ministério de intercessão figurado pelo trabalho do sacerdote no Lugar Santo, a primeira sala do santuário terrestre. Ap 4–5, o trono do Criador e o Cordeiro que recebe o livro, é lido como a cena dessa posse (leitura corrente, fora das 28 crenças); os 24 anciãos são entendidos como representantes do povo de Deus, e o texto não os identifica. A obra de Cristo passa a ser feita no santuário do céu.
At 1:3 fala em quarenta dias entre a ressurreição e a ascensão. O ano 31 d.C. vem da cronologia das 70 semanas; outras cronologias dão 30 ou 33.
Estêvão e o fim das 70 semanas
34 d.C. · Leitura adventista clássica
Setenta semanas estão determinadas sobre o teu povo e sobre a tua santa cidade, para fazer cessar a transgressão, para dar fim aos pecados, para expiar a iniquidade, para trazer a justiça eterna, para selar a visão e a profecia e para ungir o Santo dos Santos.
Dn 9:24 (ARA)
As 70 semanas, 490 anos, foram determinadas sobre o povo de Daniel e a sua cidade. Contadas desde 457 a.C., terminam em 34 d.C., sete anos depois do batismo: a 70ª semana cobre o ministério de Jesus e os primeiros anos da pregação dos apóstolos aos judeus. Nesse tempo Estêvão é apedrejado, a perseguição dispersa os cristãos de Jerusalém e o evangelho avança a Samaria e, depois, aos gentios, os não judeus (At 7–8; 10). A leitura adventista entende que se encerra um prazo dado à nação como tal, sem tirar de nenhum judeu, como pessoa, o acesso à salvação em Cristo.
Atos não data a morte de Estêvão; estudiosos a situam entre 33 e 36 d.C. O ano 34 sai do cálculo das 70 semanas, e a leitura adventista o encaixa nesses fatos: a conversão de Saulo (Paulo) e o evangelho aos não judeus vêm logo depois.
A destruição de Jerusalém
70 d.C. · Leitura adventista clássica
Quando, porém, virdes Jerusalém sitiada de exércitos, sabei que está próxima a sua devastação. Então, os que estiverem na Judeia, fujam para os montes; os que se encontrarem dentro da cidade, retirem-se; e os que estiverem nos campos, não entrem nela.
Lc 21:20-21 (ARA)
No discurso do monte das Oliveiras, Jesus avisa que o templo será arrasado e que, ao ver Jerusalém cercada, os discípulos devem fugir (Mt 24; Lc 21). A leitura adventista vê duplo alcance no discurso: o aviso se cumpre em 70 d.C. e, ao mesmo tempo, a cidade é uma miniatura do juízo final, razão pela qual Ellen White abre O Grande Conflito por ela. Com o templo, desaparece o centro do sistema de sacrifícios, que já tinha cumprido a sua função na cruz. Dn 9:26 é lido como a mesma destruição, feita pelo povo de um príncipe que viria.
Roma sitiou Jerusalém na Páscoa de 70 d.C., sob Tito; o templo queimou em agosto (10 de Av) e a cidade caiu em setembro. Josefo fala em 1,1 milhão de mortos, número que historiadores consideram exagerado. Segundo Eusébio, os cristãos já tinham fugido para Pela, na Peréia.
A lei dominical de Constantino
321 d.C. · Leitura adventista clássica
Lembra-te do dia de sábado, para o santificar.
Êx 20:8 (ARA)
Em 7 de março de 321, Constantino mandou que magistrados, população urbana e oficinas descansassem no venerável dia do Sol, o domingo; o trabalho no campo ficou livre. É a primeira lei civil conhecida a impor descanso no domingo. A leitura adventista o vê como um passo no processo que Dn 7:25 descreve para o poder que “cuidará em mudar os tempos e a lei”, e o liga à igreja de Pérgamo (313-538), era de aliança entre igreja e império. Os cristãos já se reuniam no domingo antes disso; a lei acrescentou o descanso civil.
A lei, dirigida a Helpídio (Codex Justinianus 3.12.2), não cita Cristo nem o sábado e usa o nome do Sol; historiadores discutem se o motivo era cristão, solar ou ambos. Justino já descrevia reuniões cristãs no domingo por volta de 155. O cânon 29 do Concílio de Laodiceia (c. 363) mandou os cristãos trabalharem no sábado e honrarem o domingo.
538: começam os 1260 anos
538 d.C. · Leitura adventista clássica
Proferirá palavras contra o Altíssimo, magoará os santos do Altíssimo e cuidará em mudar os tempos e a lei; e os santos lhe serão entregues nas mãos, por um tempo, dois tempos e metade de um tempo.
Dn 7:25 (ARA)
Três textos dizem o mesmo período: um tempo, dois tempos e metade de um tempo (Dn 7:25), 42 meses (Ap 13:5) e 1260 dias (Ap 12:6). Três tempos e meio são 3,5 anos de 360 dias, ou 1260 dias; pelo princípio dia-ano (ver o card das 2300 tardes e manhãs), 1260 anos. A leitura adventista clássica os conta de 538, quando o cerco ostrogodo a Roma terminou e o decreto de Justiniano de 533, que reconhecia o bispo de Roma como cabeça das igrejas, pôde valer, até 1798. Nessa leitura, o que a profecia descreve é um sistema político-religioso, não pessoas.
Em março de 538, o rei Vitiges levantou o cerco ostrogodo a Roma, mas os godos continuaram na Itália: Roma foi cercada de novo em 546 e 549-550, e a guerra só acabou por volta de 553. Historiadores não veem 538 como virada do papado, e há autores adventistas que preferem 533. É um marco da leitura, não um consenso.
A Reforma
1517 · Leitura adventista clássica
Os sábios entre o povo ensinarão a muitos; todavia, cairão pela espada e pelo fogo, pelo cativeiro e pelo roubo, por algum tempo. Ao caírem eles, serão ajudados com pequeno socorro; mas muitos se ajuntarão a eles com lisonjas.
Dn 11:33-34 (ARA)
Na leitura clássica, a Reforma foi o “pequeno socorro” de Dn 11:34 aos fiéis que ensinaram e foram perseguidos durante os 1260 anos: a Bíblia voltou ao povo e a salvação pela fé voltou ao centro. A igreja de Sardes (Ap 3:1-4), advertida de que tem nome de quem vive e está morta, é ligada à era da Reforma e às igrejas dela nascidas, que em muitos casos pararam onde seus fundadores pararam. Os adventistas se veem na continuação desse retorno às Escrituras.
Em 31 de outubro de 1517, Martinho Lutero enviou ao arcebispo Alberto de Mainz as 95 teses contra a venda de indulgências (remissão de penas por pagamento); que as tenha pregado na porta da igreja de Wittenberg é tradição discutida por historiadores. A imprensa as espalhou em semanas. Lutero foi excomungado em 1521 e publicou o Novo Testamento em alemão em 1522.
1798: o tempo do fim
1798 · Leitura adventista clássica
Tu, porém, Daniel, encerra as palavras e sela o livro, até ao tempo do fim; muitos o esquadrinharão, e o saber se multiplicará.
Dn 12:4 (ARA)
Na leitura adventista, os 1260 anos terminam em 1798: o general francês Berthier entra em Roma e o papa Pio VI é levado prisioneiro. É a “ferida mortal” de Ap 13:3 na besta que sobe do mar, que a leitura identifica com o papado como sistema político-religioso medieval, nunca com os católicos como pessoas; a cura da ferida é a recuperação posterior de influência. Com o fim do período começa o tempo do fim: o livro de Daniel, selado até ali, é aberto, e o estudo da profecia e o saber se multiplicam. O tempo do fim é um período, que vai até a volta de Cristo.
Berthier entrou em Roma em 10 de fevereiro de 1798 e proclamou a República Romana; Pio VI, que recusou abrir mão do poder temporal, foi levado de Roma em 20 de fevereiro e morreu prisioneiro em Valence, na França, em 29 de agosto de 1799. Em 1800 foi eleito Pio VII. Em 1804 nasceu a Sociedade Bíblica Britânica e Estrangeira.
O movimento do advento
1831–1844 · Leitura adventista clássica
Vi outro anjo voando pelo meio do céu, tendo um evangelho eterno para pregar aos que se assentam sobre a terra, e a cada nação, e tribo, e língua, e povo, dizendo, em grande voz: Temei a Deus e dai-lhe glória, pois é chegada a hora do seu juízo; e adorai aquele que fez o céu, e a terra, e o mar, e as fontes das águas.
Ap 14:6-7 (ARA)
William Miller, lavrador e pregador batista dos EUA, estudou Daniel e concluiu que as 2300 tardes e manhãs (Dn 8:14) terminavam por volta de 1843, quando o santuário, entendido por ele como a Terra, seria purificado pelo fogo na volta de Cristo. Entre 1831 e 1844, dezenas de milhares de pessoas, de várias igrejas, aderiram ao anúncio. A leitura adventista reconhece nele o primeiro anjo de Ap 14:6-7 e vê no livrinho doce na boca e amargo no estômago (Ap 10:8-11) a experiência do movimento: doce na expectativa, amarga em 1844. Despertamentos parecidos ocorreram em outros países.
Miller falou em público pela primeira vez em 1831. Depois de apontar o ano de 1843, fixou o ano judaico de 21/3/1843 a 21/3/1844. Em agosto de 1844, no acampamento de Exeter, em New Hampshire, Samuel Snow propôs 22 de outubro de 1844, e o movimento adotou a data. Boa parte dos pioneiros adventistas do sétimo dia saiu desse movimento.
22 de outubro de 1844
1844 · Crença oficial nº 24
Ele me disse: Até duas mil e trezentas tardes e manhãs; e o santuário será purificado.
Dn 8:14 (ARA)
A crença 24 diz que em 1844, ao fim das 2300 tardes e manhãs (princípio dia-ano: ver o card dessa profecia), Cristo entrou na segunda e última fase do seu ministério no santuário celestial, figurada pelo Dia da Expiação (Lv 16): o dia do ano em que o sumo sacerdote entrava no Lugar Santíssimo, a sala interna, para purificar o santuário. Os milleritas esperavam a volta de Cristo nessa data; ela não veio, e o episódio ficou conhecido como o Grande Desapontamento. O estudo seguinte concluiu que o santuário de Dn 8:14 é o do céu (Hb 8:1-2), e não a Terra.
Samuel Snow calculou 22 de outubro de 1844 como o décimo dia do sétimo mês judaico pelo calendário dos caraítas; pelo calendário rabínico, o Dia da Expiação daquele ano caiu em setembro. Contando 2300 anos desde 457 a.C., sem ano zero, chega-se ao outono de 1844. Segundo Hiram Edson, no dia 23 ele ficou convencido de que a purificação se dava no santuário do céu.
O juízo começa no céu
desde 1844 · Crença oficial nº 24
Continuei olhando, até que foram postos uns tronos, e o Ancião de Dias se assentou; sua veste era branca como a neve, e os cabelos da cabeça, como a pura lã; o seu trono eram chamas de fogo, e suas rodas eram fogo ardente. Um rio de fogo manava e saía de diante dele; milhares de milhares o serviam, e miríades de miríades estavam diante dele; assentou-se o tribunal, e se abriram os livros.
Dn 7:9-10 (ARA)
Daniel vê um tribunal no céu: o Ancião de Dias, lido como Deus Pai, se assenta, e se abrem os livros. A crença 24 chama isso de juízo investigativo (também chamado pré-advento, por acontecer antes da volta), a segunda fase do ministério de Cristo, iniciada em 1844 e anterior à volta: ele mostra aos seres do céu quem, entre mortos e vivos, permanece em Cristo e está pronto para o reino, e declara a justiça de Deus em salvar os que creem em Jesus. Ap 14:7 (a hora do juízo é chegada) e Ap 11:19 (o santuário aberto, com a arca da Aliança) são lidos como o anúncio dessa cena. Ao fim dele fecha-se o tempo de graça.
O juízo é uma cena celestial e não deixa registro histórico visível. A data de início, 1844, vem do fim das 2300 tardes e manhãs.
A crise e a união
futuro, sem data · Leitura adventista clássica
João vê um segundo poder fazer uma imagem da primeira besta e impor adoração, marca e restrição de compra e venda, e Paulo descreve os últimos dias como tempos difíceis, com gente de aparência piedosa, mas sem o poder da piedade. Ap 13:11-17; 2Tm 3:1-5, paráfrase
Ap 13 não diz o que leva os dois poderes (as bestas dos cards de Ap 13) a se unirem. Para a leitura clássica, O Grande Conflito (cap. 36) descreve o caminho: calamidades e decadência moral são atribuídas ao desrespeito do domingo, e cresce o apelo por leis que o imponham. Religião e Estado então se juntam (a imagem da besta, 13:14-15) e quem recusa fica sem comprar nem vender (13:16-17). Em termos simples, uma sociedade em crise cede liberdade de consciência em troca de ordem e estabilidade. É profecia por cumprir, sem data e sem notícia que a confirme.
O alto clamor
futuro, sem data · Leitura adventista clássica
Depois destas coisas, vi descer do céu outro anjo, que tinha grande autoridade, e a terra se iluminou com a sua glória. [...] Ouvi outra voz do céu, dizendo: Retirai-vos dela, povo meu, para não serdes cúmplices em seus pecados e para não participardes dos seus flagelos...
Ap 18:1, 4 (ARA)
É a última proclamação do evangelho com poder, antes do fim da graça (quando a oferta de salvação se encerra). Um anjo de grande autoridade repete que Babilônia caiu (Ap 14:8) e chama o povo de Deus a sair dela. Na linguagem adventista esse poder é a chuva serôdia, a tardia: em Joel 2:23 o Espírito vem como duas chuvas, a temporã, que faz a semente brotar, e a serôdia, que amadurece a colheita. Pentecostes seria a primeira e este momento, a segunda. A crença 13 cita Ap 18:1-4 ao descrever a missão do remanescente, o povo que anuncia essa mensagem, e Mt 24:14 liga o fim à pregação mundial.
Segundo O Grande Conflito (cap. 38), esse movimento superaria em alcance o do advento de 1840-44. Em 1892, Ellen White escreveu que o alto clamor do terceiro anjo já havia começado, na revelação da justiça de Cristo (Review and Herald, 22/11/1892). Há quem ligue esse início à mensagem de 1888, em Minneapolis, e quem o trate como ainda futuro. A leitura clássica o põe antes do fim da graça.
O fim da graça
futuro, sem data · Crença oficial nº 24
Continue o injusto fazendo injustiça, continue o imundo ainda sendo imundo; o justo continue na prática da justiça, e o santo continue a santificar-se.
Ap 22:11 (ARA)
Tempo de graça é o período em que a salvação ainda é oferecida a cada pessoa. A crença 24 ensina que o fim do ministério de Cristo no santuário celestial encerra esse tempo, antes da segunda vinda. Três textos descrevem o momento: Ap 22:11 (cada destino fica fixado), Ap 15:8 (o santuário se enche de fumaça e ninguém pode entrar até as pragas acabarem) e Dn 12:1 (Miguel, que a tradição adventista identifica com Cristo, se levanta, e vem um tempo de angústia). Para O Grande Conflito, ninguém sofre a ira de Deus sem antes rejeitar a verdade que chegou à sua consciência. As pragas vêm depois.
As sete últimas pragas
futuro, sem data · Leitura adventista clássica
Vi no céu outro sinal grande e admirável: sete anjos tendo os sete últimos flagelos, pois com estes se consumou a cólera de Deus. [...] O santuário se encheu de fumaça procedente da glória de Deus e do seu poder, e ninguém podia penetrar no santuário, enquanto não se cumprissem os sete flagelos dos sete anjos.
Ap 15:1, 8 (ARA)
A leitura adventista põe as sete últimas pragas depois do fim da graça (quando a oferta de salvação se encerra): com o santuário fechado, a ira de Deus vem sem mistura de misericórdia (Ap 14:10), sobre quem já fez a escolha final. A ordem em O Grande Conflito é alto clamor, selo, fim da graça, tempo de angústia (que inclui as pragas) e volta de Cristo. O modelo são as pragas do Egito, com um detalhe que o texto de Êxodo destaca: Gósen, onde viviam os israelitas, foi poupada. O povo de Deus não fica livre de sofrimento, mas é sustentado e protegido (cap. 39).
No Egito (Êxodo 7-12), as pragas caíram sobre o povo de Faraó e Gósen ficou de fora (Ex 8:22; 9:26; 10:23; 11:7); a última, a morte dos primogênitos, levou ao êxodo. Em Apocalipse 16 voltam o rio de sangue, as úlceras, as trevas, o granizo e as rãs, que ali são espíritos imundos semelhantes a rãs (16:13).
Armagedom
futuro, sem data · Há leituras diferentes na igreja
porque eles são espíritos de demônios, operadores de sinais, e se dirigem aos reis do mundo inteiro com o fim de ajuntá-los para a peleja do grande Dia do Deus Todo-Poderoso. [...] Então, os ajuntaram no lugar que em hebraico se chama Armagedom.
Ap 16:14, 16 (ARA)
Armagedom (do hebraico Har-Magedon, monte de Megido) é onde os poderes do mundo se reúnem para a peleja do grande Dia de Deus (Ap 16:14-16); o combate aparece em Ap 19:19-21, com a vinda de Cristo. Megido foi palco de batalhas decisivas (Jz 5:19; 2Rs 23:29), e muitos leem o nome como símbolo. Há duas leituras na igreja. A geográfica, do século XIX e início do XX: nações reunidas na Palestina, depois uma grande guerra ali. A mais comum hoje entre estudiosos: o confronto final entre os que seguem a Deus e os que se unem contra Ele, em torno da adoração. Em ambas, o desfecho é a vinda de Cristo.
Panorama de D. Mansell (Ministry, 1967): até 1903 valia a leitura de Uriah Smith (Eufrates como Turquia, nações reunidas na Palestina, batalha na sétima taça). Em 1903 W. A. Spicer defendeu uma grande guerra na Palestina, e em 1913 era a visão da igreja. Por volta de 1952 passou a prevalecer a ênfase no conflito entre Cristo e Satanás. Também se discutiu se a batalha é a de Ap 19 ou a de Ap 20 (Holbrook, 1966; Neufeld, 1978).
- D. E. Mansell, "What Adventists Have Taught on Armageddon and the King of the North", Ministry, dez. 1967
- Comentário Bíblico Adventista, vol. 7, sobre Ap 16:12 (as duas leituras; reprodução em 3ams.com)
- Resenha de Hans K. LaRondelle, Chariots of Salvation, Ministry, mar. 1988
- Gary Shearer, bibliografia "The Seventh-day Adventist Interpretation of Armageddon", Pacific Union College
A segunda vinda
futuro, sem data · Crença oficial nº 25
Porquanto o Senhor mesmo, dada a sua palavra de ordem, ouvida a voz do arcanjo, e ressoada a trombeta de Deus, descerá dos céus, e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro; depois, nós, os vivos, os que ficarmos, seremos arrebatados juntamente com eles, entre nuvens, para o encontro do Senhor nos ares, e, assim, estaremos para sempre com o Senhor.
1Ts 4:16-17 (ARA)
A crença 25 define a volta de Cristo como literal, pessoal, visível e mundial: todo olho o verá (Ap 1:7), do modo como o viram subir (At 1:11). Não é volta secreta nem simbólica. Os justos mortos ressuscitam e, com os justos vivos, são glorificados e levados ao céu; os ímpios morrem (2Ts 2:8). Quanto ao quando, a mesma crença diz que o momento não foi revelado, e Mt 24:36 acrescenta que ninguém sabe o dia nem a hora. Por isso a igreja exorta a estar pronta e não marca data.
Em 1844 o movimento milerita esperou a volta de Cristo em 22 de outubro, e o dia passou sem ela. Os pioneiros adventistas concluíram que a data marcava outro evento, no céu (crença 24), e a igreja que se formou dali não fixa data para a volta.
O milênio
futuro, sem data · Crença oficial nº 27
Vi também tronos, e nestes sentaram-se aqueles aos quais foi dada autoridade de julgar. Vi ainda as almas dos decapitados por causa do testemunho de Jesus, bem como por causa da palavra de Deus, tantos quantos não adoraram a besta, nem tampouco a sua imagem, e não receberam a marca na fronte e na mão; e viveram e reinaram com Cristo durante mil anos. Os restantes dos mortos não reviveram até que se completassem os mil anos. Esta é a primeira ressurreição.
Ap 20:4-5 (ARA)
O milênio é o reinado de mil anos de Cristo com os salvos, no céu, entre a primeira e a segunda ressurreição (crença 27). Os justos ressuscitam na volta; os ímpios mortos só ressuscitam ao fim dos mil anos (Ap 20:5). Nesse tempo os salvos participam do juízo (1Co 6:2-3). A terra fica sem forma e vazia, sem habitantes humanos (Jr 4:23-26): é o abismo de Ap 20:3, onde Satanás fica preso porque não há ninguém a enganar. A prisão é de circunstância, não uma corrente literal (O Grande Conflito, cap. 41).
O fim do pecado
futuro, sem data · Crença oficial nº 27
Marcharam, então, pela superfície da terra e sitiaram o acampamento dos santos e a cidade querida; desceu, porém, fogo do céu e os consumiu. [...] Então, a morte e o inferno foram lançados para dentro do lago de fogo. Esta é a segunda morte, o lago de fogo.
Ap 20:9, 14 (ARA)
Ao fim dos mil anos a Cidade Santa desce com Cristo e os salvos, os ímpios ressuscitam (segunda ressurreição) e Satanás, solto, os reúne para cercá-la (Ap 20:7-9). Então desce fogo de Deus e os consome, a segunda morte (Ap 20:14). Para a crença 27, esse fogo também purifica a terra e liberta o universo do pecado e dos pecadores para sempre. Na leitura adventista a segunda morte é o fim definitivo dos ímpios, não um tormento eterno; Ml 4:1 diz que o dia que vem não lhes deixará nem raiz nem ramo.
A Nova Terra
futuro, sem data · Crença oficial nº 28
Então, ouvi grande voz vinda do trono, dizendo: Eis o tabernáculo de Deus com os homens. Deus habitará com eles. Eles serão povos de Deus, e Deus mesmo estará com eles. E lhes enxugará dos olhos toda lágrima, e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram.
Ap 21:3-4 (ARA)
A Nova Terra (crença 28) é o lar eterno dos redimidos: Deus renova a terra depois do fogo (Is 65:17; 2Pe 3:13), a Cidade Santa vem para ela e Deus mora com o seu povo. A leitura adventista a entende como terra real e renovada, sem sofrimento, morte nem pecado, com vida, alegria e aprendizado na presença de Deus. Ela fecha o arco da linha do tempo, do Éden ao Éden: a árvore da vida, guardada depois da queda (Gn 3:24), reaparece em Ap 22:1-2. O grande conflito termina, e tudo declara que Deus é amor.
Você está aqui
hoje · Leitura adventista clássica
dizendo, em grande voz: Temei a Deus e dai-lhe glória, pois é chegada a hora do seu juízo; e adorai aquele que fez o céu, e a terra, e o mar, e as fontes das águas.
Ap 14:7 (ARA)
Na leitura adventista, a humanidade vive depois de 1844: o juízo no céu está em andamento (crença 24) e a mensagem dos três anjos é levada ao mundo (crença 13). Nas cadeias proféticas, é o tempo de Laodiceia, do sexto selo com os sinais já cumpridos e da sétima trombeta. O que a profecia descreve à frente é a crise de Apocalipse 13, quando as duas bestas, que já existem, se unem para impor uma adoração. Não há data: ninguém sabe o dia nem a hora (Mt 24:36).
Hipótese do autor: a IA como gatilho
hoje · Hipótese do autor
A besta da terra faz com que ninguém possa comprar nem vender sem a marca. Ap 13:16-17, paráfrase
Esta é uma hipótese do autor, não uma leitura da igreja. Para as pessoas abrirem mão da liberdade, a promessa mais forte é a de segurança. Uma sequência de crises, como ataques cada vez mais sofisticados a bancos, dados e serviços com o avanço da inteligência artificial, pode desgastar a confiança que a sociedade tinha e tornar aceitável um controle maior. Não uma pane global que pare o mundo, mas crises acumuladas. Seria um caminho possível para a união de Apocalipse 13, não uma profecia.
- Hipótese de Bruno Pisciotta, a partir do estudo desta linha do tempo
Daniel 7 · os quatro animais
A visão dos quatro animais
c. 553 a.C. (a visão) · Leitura adventista clássica
Estes grandes animais, que são quatro, são quatro reis que se levantarão da terra.
Dn 7:17 (ARA)
Daniel 7 refaz a sequência da estátua, agora com feras em vez de metais: leão, urso, leopardo e um quarto animal terrível. O anjo dá a chave: os animais são reis, isto é, reinos (Dn 7:17, 23). A visão acrescenta o que Dn 2 não mostra: dez chifres, um chifre pequeno que persegue os santos por 'um tempo, dois tempos e metade de um tempo', o juízo no céu e o reino dado aos santos. A cadeia vai até a volta de Cristo. O Apocalipse retoma e amplia esses símbolos (Ap 13), em vez de começar onde Daniel termina.
Daniel recebeu a visão no primeiro ano de Belsazar (Dn 7:1), por volta de 553 a.C., mais de cinquenta anos depois de chegar à Babilônia. Belsazar, filho de Nabonido, governava a cidade; a queda diante de Ciro veio em 539 a.C.
O leão com asas: Babilônia
605–539 a.C. · Leitura adventista clássica
O primeiro era como leão e tinha asas de águia; enquanto eu olhava, foram-lhe arrancadas as asas, foi levantado da terra e posto em dois pés, como homem; e lhe foi dada mente de homem.
Dn 7:4 (ARA)
O leão com asas de águia é a Babilônia, a cabeça de ouro de Dn 2. A própria Bíblia usa a águia para esse império: em Ez 17:3 e 12, a grande águia que leva a ponta do cedro é o rei da Babilônia. Daniel vê as asas arrancadas e o animal posto em pé, com 'mente de homem'. Uriah Smith lia as asas como a rapidez das conquistas de Nabucodonosor e o resto como o enfraquecimento do império em seus últimos anos; o texto não detalha.
Nabucodonosor II (605–562 a.C.) levou o império ao auge. Depois dele houve quatro reis em 23 anos, e a Babilônia caiu diante de Ciro em 539 a.C.
O urso: Medo-Pérsia
539–331 a.C. · Leitura adventista clássica
Continuei olhando, e eis aqui o segundo animal, semelhante a um urso, o qual se levantou sobre um dos seus lados; na boca, entre os dentes, trazia três costelas; e lhe diziam: Levanta-te, devora muita carne.
Dn 7:5 (ARA)
Na leitura adventista, o urso é Medo-Pérsia, a prata de Dn 2 e o carneiro de Dn 8. O urso 'levantado sobre um dos seus lados' combina com o carneiro cujo chifre mais alto 'subiu por último' (Dn 8:3): a Pérsia, que passou a Média. As três costelas na boca são lidas como três conquistas, Lídia, Babilônia e Egito. Uriah Smith propôs isso com cautela ('talvez'), e o texto não confirma. 'Devora muita carne' fala do apetite de conquista do império.
Ciro tomou a Lídia por volta de 546 a.C. e a Babilônia em 539; seu filho Cambises conquistou o Egito em 525 a.C. O império terminou com a derrota de Dario III diante de Alexandre, em Gaugamela, em 331 a.C.
O leopardo de quatro cabeças: Grécia
331–168 a.C. · Leitura adventista clássica
Depois disto, continuei olhando, e eis aqui outro, semelhante a um leopardo, e tinha nas costas quatro asas de ave; tinha também este animal quatro cabeças, e foi-lhe dado domínio.
Dn 7:6 (ARA)
A Grécia aparece como um leopardo, o bronze de Dn 2 e o bode de Dn 8. As quatro asas dão ideia de velocidade, e a conquista de Alexandre foi rápida: do Egito à Índia em pouco mais de uma década. As quatro cabeças são os quatro reinos em que o império se dividiu depois dele, os mesmos 'quatro chifres' que Dn 8:8 e 22 põem no lugar do chifre quebrado.
Alexandre passou à Ásia em 334 a.C., venceu os persas em Gaugamela (331) e morreu na Babilônia em 323 a.C. Depois de Ipsos (301 a.C.), o império foi partilhado entre Cassandro (Macedônia), Lisímaco (Trácia e Ásia Menor), Seleuco (Síria e Mesopotâmia) e Ptolomeu (Egito).
O animal terrível: Roma
168 a.C.–476 d.C. · Leitura adventista clássica
Então, ele disse: O quarto animal será um quarto reino na terra, o qual será diferente de todos os reinos; e devorará toda a terra, e a pisará aos pés, e a fará em pedaços.
Dn 7:23 (ARA)
O quarto animal não se parece com nenhum animal conhecido: tem dentes de ferro e dez chifres (Dn 7:7). O anjo diz que é 'um quarto reino' que devorará 'toda a terra'. Pelo ferro e pela posição na sequência, a leitura clássica o identifica com Roma, a mesma das pernas de ferro de Dn 2:40. Como na estátua, o texto não dá o nome: a identificação vem do paralelo entre os dois capítulos. A visão se demora neste animal por causa do que nasce dele, os dez chifres e o chifre pequeno.
Roma derrotou a Macedônia em Pidna (168 a.C.), anexou o Egito em 30 a.C. e, com Augusto, virou império (27 a.C.). Em 476 d.C. o imperador do Ocidente foi deposto. O Império do Oriente seguiu até 1453, mas a leitura adventista fecha esta fase com a divisão do Ocidente.
Os dez chifres: os reinos que dividiram Roma
desde 476 · Leitura adventista clássica
Os dez chifres correspondem a dez reis que se levantarão daquele mesmo reino; e, depois deles, se levantará outro, o qual será diferente dos primeiros, e abaterá a três reis.
Dn 7:24 (ARA)
O anjo explica que os dez chifres são dez reis 'daquele mesmo reino', isto é, nascidos de dentro do território romano. A leitura clássica os associa aos povos que ocuparam o Ocidente a partir do século V; é o equivalente, em Dn 7, dos dedos de ferro e barro de Dn 2. Três são 'arrancados' para dar lugar ao chifre pequeno. As listas de nomes variam entre os autores, e a leitura se apoia na ideia geral, a Europa repartida em reinos, e não em uma lista única.
A lista adventista mais comum traz anglo-saxões, francos, alamanos, lombardos, visigodos, suevos e burgúndios, e conta hérulos, vândalos e ostrogodos como os três arrancados (493, 534 e 538, datas de Uriah Smith). Smith incluía os hunos na lista dos dez; outras listas os trocam pelos alamanos.
O chifre pequeno
538–1798 · Leitura adventista clássica
Proferirá palavras contra o Altíssimo, magoará os santos do Altíssimo e cuidará em mudar os tempos e a lei; e os santos lhe serão entregues nas mãos, por um tempo, dois tempos e metade de um tempo.
Dn 7:25 (ARA)
O chifre pequeno nasce entre os dez, depois deles, derruba três, é 'diferente dos primeiros' e fala com insolência (Dn 7:8, 24-25). A leitura clássica o identifica com Roma em sua fase religiosa: o papado entendido como sistema político-religioso, que cresceu a partir do Império e dominou a Europa medieval. A profecia fala do sistema e do poder que ele exerceu, não de pessoas nem de fiéis individuais. 'Mudar os tempos e a lei' é lido como a mudança do dia de guarda, do sábado para o domingo. O período são os 1260 anos, de 538 a 1798.
A literatura adventista conta 538 d.C., quando os godos deixaram Roma e o decreto de Justiniano, que punha o bispo de Roma como cabeça das igrejas, passou a valer; historiadores discutem o marco. O fim, 1798, é mais firme: tropas francesas entraram em Roma, proclamaram uma república e levaram o papa Pio VI prisioneiro. Ele morreu na França, em 1799.
O juízo: o Ancião de Dias
desde 1844 · Crença oficial nº 24
Continuei olhando, até que foram postos uns tronos, e o Ancião de Dias se assentou; sua veste era branca como a neve, e os cabelos da cabeça, como a pura lã; o seu trono eram chamas de fogo, e suas rodas eram fogo ardente. Um rio de fogo manava e saía de diante dele; milhares de milhares o serviam, e miríades de miríades estavam diante dele; assentou-se o tribunal, e se abriram os livros.
Dn 7:9-10 (ARA)
Depois do chifre pequeno, a cena passa ao céu: tronos, o Ancião de Dias, livros abertos e um 'como o Filho do Homem' que vai 'até o Ancião de Dias' (Dn 7:13). Ele chega ao Pai, não à Terra; por isso a leitura adventista vê aqui um juízo no céu, antes da volta de Cristo, e não a segunda vinda. É chamado investigativo porque examina os registros antes da sentença. Segundo o v. 22, o Ancião de Dias 'fez justiça aos santos'. A crença 24 diz que esse juízo começou em 1844, ao fim das 2300 tardes e manhãs. O v. 26 mostra o resultado: o domínio do chifre é tirado.
O 22 de outubro de 1844 era a data esperada pelos milleritas, o movimento de William Miller, para a volta de Cristo. Ela não veio, e nos meses seguintes os adventistas pioneiros passaram a entender que o santuário de Dn 8:14 era o celestial (Hb 8:1-2) e que Cristo havia iniciado ali, naquela data, uma nova fase.
O reino entregue aos santos
na volta de Cristo · Leitura adventista clássica
O reino, e o domínio, e a majestade dos reinos debaixo de todo o céu serão dados ao povo dos santos do Altíssimo; o seu reino será reino eterno, e todos os domínios o servirão e lhe obedecerão.
Dn 7:27 (ARA)
A visão termina como a estátua: com um reino que substitui os impérios. O domínio é dado ao Filho do Homem (Dn 7:14) e aos 'santos do Altíssimo' (v. 18, 22, 27), e esse reino 'jamais será destruído'. A leitura adventista o situa depois do juízo no céu, na volta de Cristo, e o liga à Nova Terra. Por isso Daniel 7 não termina em 1844: a cadeia atravessa o juízo e chega ao reino eterno. O Apocalipse percorre o mesmo caminho e termina no mesmo ponto, em vez de começar depois de Daniel.
Ap 2–3 · sete igrejas
As sete igrejas
31 d.C. até a volta · Leitura adventista clássica
Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas.
Ap 3:22 (ARA)
Cristo dirige sete cartas a sete igrejas reais da Ásia Menor, citadas na ordem da rota de um mensageiro vindo de Patmos. Não eram as únicas da região: havia igrejas em Colossos, Hierápolis (Cl 4:13) e Trôade (At 20:6-7), e a escolha destas sete é lida como proposital. A leitura adventista clássica vê nelas, além da mensagem local, sete períodos sucessivos da história cristã, do século I até a volta de Jesus; sete indica totalidade. Ellen White escreve que os nomes das igrejas simbolizam a igreja em períodos diferentes. O Comentário Bíblico Adventista avisa que não é profecia de tempo no sentido usual: as datas são marcos aproximados, e os autores variam.
Datas de referência do Comentário Bíblico Adventista (vol. 7, p. 753-754): Éfeso 31–100, Esmirna 100–313, Pérgamo 313–538, Laodiceia a partir de 1844. Para Tiatira, Sardes e Filadélfia ele admite mais de uma fronteira (1517, 1755, 1798 ou 1833). As cartas foram enviadas por volta de 95 d.C.
Éfeso: o primeiro amor
31–100 · Leitura adventista clássica
Tenho, porém, contra ti que abandonaste o teu primeiro amor. Lembra-te, pois, de onde caíste, arrepende-te e volta à prática das primeiras obras; e, se não, venho a ti e moverei do seu lugar o teu candeeiro, caso não te arrependas.
Ap 2:4-5 (ARA)
Éfeso representa a igreja do tempo dos apóstolos, até cerca do ano 100. Cristo reconhece o trabalho, a perseverança e a recusa do falso ensino, mas aponta uma perda: o primeiro amor. O Comentário Bíblico Adventista entende por isso o amor a Deus, à verdade e uns aos outros, que esfriou quando morreram os que conviveram com Jesus e a expectativa da volta enfraqueceu. O chamado é lembrar, arrepender-se e voltar às primeiras obras; a ameaça é perder o lugar de candeeiro.
Paulo trabalhou em Éfeso por cerca de três anos (At 19–20), e a tradição antiga põe ali o apóstolo João, até o reinado de Trajano (98–117). O período começa em 31, ano da ascensão na cronologia adventista, e atravessa a destruição de Jerusalém, em 70, e a morte dos últimos apóstolos.
- Comentário Bíblico Adventista (SDA Bible Commentary), vol. 7, comentário a Ap 2:1-7 e Nota Adicional ao cap. 2 (p. 753)
Esmirna: a igreja perseguida
100–313 · Leitura adventista clássica
Não temas as coisas que tens de sofrer. Eis que o diabo está para lançar em prisão alguns dentre vós, para serdes postos à prova, e tereis tribulação de dez dias. Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida.
Ap 2:10 (ARA)
Esmirna é a igreja perseguida, de cerca de 100 a 313. Não recebe repreensão, só consolo: ser fiel até a morte e receber a coroa da vida. Os “dez dias” de tribulação entram no princípio dia-ano, em que um dia profético vale um ano (Nm 14:34; Ez 4:6): dez anos de perseguição intensa, de 303 a 313. O Comentário Bíblico Adventista registra outra leitura, que toma os dez dias como número redondo para um período curto.
As perseguições foram locais e esporádicas no século II e começo do III. A primeira perseguição sistemática em todo o império veio com Décio, em 250. A Grande Perseguição começou com os decretos de Diocleciano, a partir de fevereiro de 303, e terminou com as medidas de tolerância de 311 a 313, entre elas o chamado Edito de Milão.
Pérgamo: onde está o trono de Satanás
313–538 · Leitura adventista clássica
Conheço o lugar em que habitas, onde está o trono de Satanás, e que conservas o meu nome e não negaste a minha fé, ainda nos dias de Antipas, minha testemunha, meu fiel, o qual foi morto entre vós, onde Satanás habita.
Ap 2:13 (ARA)
Pérgamo é a igreja que ganha popularidade, de 313 a 538. A cidade era a capital religiosa da Ásia Menor e sede do culto ao imperador, o “trono de Satanás” do texto. Na leitura adventista, o quadro aponta um cristianismo que, protegido pelo Império, passa a conviver com o poder político e com costumes pagãos, enquanto o sistema que viria a ser o papado se consolida; a leitura trata de um sistema, não de pessoas. A carta elogia quem manteve a fé, como Antipas, e chama ao arrependimento.
313: Constantino e Licínio garantem liberdade de culto aos cristãos (o chamado Edito de Milão). 321: Constantino decreta o domingo como dia de descanso nas cidades. 476: cai o último imperador do Ocidente. 538: marco que a leitura adventista usa para fechar o período, quando os ostrogodos deixam de cercar Roma; historiadores divergem sobre o peso desse ano.
Tiatira: a longa Idade Média
538–1517 · Leitura adventista clássica
(…) tão somente conservai o que tendes, até que eu venha.
Ap 2:25 (ARA)
Tiatira cobre a Idade Média (séculos V a XV), a partir de 538; o fim do período é 1517 ou 1798, conforme o autor. Cristo elogia amor, fé, serviço e perseverança, e as últimas obras superam as primeiras. A repreensão é tolerar “Jezabel”, a rainha que levou Israel ao culto de Baal (1Rs 16:31), símbolo de ensino falso dentro da igreja. Na leitura adventista, ela representa o sistema religioso e político que gerou a apostasia medieval; a profecia trata do sistema, não de pessoas. Os que se mantiveram fiéis foram grupos como os valdenses e os seguidores de Wycliffe.
538: o Comentário Bíblico Adventista aponta o fim do cerco ostrogodo a Roma e a entrada em vigor do decreto de Justiniano (533) como início do domínio papal e dos 1260 anos. A Cruzada Albigense (1209–1229) e, a partir de 1231, a Inquisição papal atingiram dissidentes religiosos. 1517: Lutero e a Reforma. 1798: fim dos 1260 anos.
Sardes: nome de quem vive
1517–1798 · Há leituras diferentes na igreja
(…) Conheço as tuas obras, que tens nome de que vives e estás morto. Sê vigilante e consolida o resto que estava para morrer, porque não tenho achado íntegras as tuas obras na presença do meu Deus.
Ap 3:1-2 (ARA)
Sardes é a igreja da Reforma e do que veio depois dela. A carta é quase só repreensão: nome de viva, obras incompletas. O Comentário Bíblico Adventista aponta credos fixados em fórmulas rígidas, igrejas protegidas pelo Estado e o racionalismo dos séculos XVII e XVIII como causas da frieza; a palavra-chave é sobrevivência. As datas variam na própria literatura adventista: o início é 1517 (ou 1798), e o fim, 1755 (ou 1833).
1517: Lutero publica as 95 teses, em Wittenberg, e a Reforma começa. Nas décadas seguintes surgem igrejas protestantes e, com elas, confissões de fé que fixam o ensino de cada uma. Os séculos XVII e XVIII trazem o racionalismo, que põe a razão e a ciência no centro. 1798 fecha os 1260 anos na leitura adventista.
- Comentário Bíblico Adventista (SDA Bible Commentary), vol. 7, comentário a Ap 3:1-6 e Nota Adicional ao cap. 2 (p. 753-754)
Filadélfia: a porta aberta
1798–1844 · Há leituras diferentes na igreja
Conheço as tuas obras — eis que tenho posto diante de ti uma porta aberta, a qual ninguém pode fechar — que tens pouca força, entretanto, guardaste a minha palavra e não negaste o meu nome.
Ap 3:8 (ARA)
Filadélfia, nome que significa amor fraterno, é a igreja dos grandes movimentos de despertar, do fim do século XVIII a 1844. Cristo reconhece que ela tem pouca força e guardou a palavra, e põe diante dela uma porta aberta. O comentário adventista lê a porta de duas formas: oportunidade de testemunho, que as missões e o movimento do advento aproveitaram, e, em 1844, a porta do lugar santíssimo do santuário celestial (crença 24). O início do período varia: 1755, 1798 ou 1833.
Entre o fim do século XVIII e a primeira metade do XIX, o interesse pela profecia cresce na Europa e nos Estados Unidos, as sociedades bíblicas levam as Escrituras a muitos idiomas e as missões se expandem. William Miller começa a pregar a volta de Cristo em 1831. O comentário adventista fecha o período em 1844.
Laodiceia: nem frio nem quente
desde 1844 · Leitura adventista clássica
Eu repreendo e disciplino a quantos amo. Sê, pois, zeloso e arrepende-te. Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele, comigo.
Ap 3:19-20 (ARA)
Laodiceia é a igreja do nosso tempo, de 1844 até a volta de Jesus. O diagnóstico é mornidão: nem fria nem quente, rica aos próprios olhos, sem ver que está pobre, cega e nua. O conselho (Ap 3:18) é comprar de Cristo ouro refinado no fogo, vestes brancas e colírio, que o Comentário Bíblico Adventista lê como fé que age pelo amor, a justiça de Cristo e a visão que o Espírito dá. A repreensão é amor, e Cristo espera à porta de cada pessoa. A carta vale para todo cristão e, para os adventistas, também para si mesmos.
Os pioneiros adventistas já aplicavam a carta a si mesmos em meados do século XIX; o comentário cita James White, em 1856. Laodiceia, na atual Turquia, era rica, famosa pela lã negra, ficava perto de um centro de medicina com remédio para os olhos e recebia por aqueduto uma água morna, imagens que a carta usa.
Cristo entre os candelabros
c. 95 d.C. · Relato bíblico
Escreve, pois, as coisas que viste, e as que são, e as que hão de acontecer depois destas. Quanto ao mistério das sete estrelas que viste na minha mão direita e aos sete candeeiros de ouro, as sete estrelas são os anjos das sete igrejas, e os sete candeeiros são as sete igrejas.
Ap 1:19-20 (ARA)
João está na ilha de Patmos por causa da palavra de Deus e do testemunho de Jesus (Ap 1:9). Ali vê Jesus de pé entre sete candeeiros de ouro; candeeiro é uma lamparina a óleo sobre um suporte. O próprio texto traduz o símbolo: os candeeiros são as sete igrejas, e as sete estrelas na mão direita de Cristo são os anjos das igrejas, isto é, os seus mensageiros. Cristo se apresenta como o primeiro e o último, o que vive, que esteve morto e tem as chaves da morte e do mundo dos mortos (Ap 1:17-18).
O Comentário Bíblico Adventista data o livro do fim do reinado de Domiciano (81–96), por volta de 95 d.C. Irineu, no século II, já dizia que a visão fora vista quase no seu tempo, no fim desse reinado. Os cristãos da Ásia Menor sofriam então pressão para adorar o imperador como senhor e deus.
Ap 6–8 · sete selos
Os sete selos
31 d.C. até a volta · Leitura adventista clássica
Todavia, um dos anciãos me disse: Não chores; eis que o Leão da tribo de Judá, a Raiz de Davi, venceu para abrir o livro e os seus sete selos.
Ap 5:5 (ARA)
Em Ap 5, ninguém pode abrir o livro lacrado com sete selos, a não ser o Cordeiro, que venceu. Selo é o lacre que fecha um rolo; cada selo aberto revela uma fase da história. Na leitura adventista, os seis primeiros cobrem fases sucessivas do povo de Deus, do século I até a volta de Cristo. Os quatro cavaleiros já passaram: a história é longa e cadenciada, não uma série de catástrofes num período curto no fim. A ligação com épocas é aproximada, e cada cavaleiro vale também fora do seu período.
Datas de referência do Comentário Bíblico Adventista (vol. 7): 1º selo c. 31–100; 2º c. 100–313; 3º 313–538; 4º 538–1517; 5º c. 1517–1755; 6º a partir de 1755, com o terremoto de Lisboa. O 7º vem com a volta de Cristo. As fronteiras são aproximadas, como as das sete igrejas.
1º selo: o cavalo branco
31–100 · Leitura adventista clássica
Vi, então, e eis um cavalo branco e o seu cavaleiro com um arco; e foi-lhe dada uma coroa; e ele saiu vencendo e para vencer.
Ap 6:2 (ARA)
O primeiro cavalo é branco, e o cavaleiro leva arco e coroa e sai vencendo. A leitura adventista tradicional vê aí a igreja apostólica: o branco indica pureza de fé, a coroa e o arco, a vitória na expansão do evangelho no primeiro século. O Comentário Bíblico Adventista registra outra leitura, que vê no cavaleiro o poder conquistador de Roma, e lembra que os adventistas costumam seguir a primeira. Período: cerca de 31 a 100.
Entre o Pentecostes, no ano 31, e o fim do século I, o cristianismo vai de Jerusalém à Ásia Menor, à Grécia e a Roma. Por volta do ano 62, Paulo escreve que o evangelho fora pregado a toda criatura debaixo do céu (Cl 1:23).
- Comentário Bíblico Adventista (SDA Bible Commentary), vol. 7, comentário a Ap 6:1-2
2º selo: o cavalo vermelho
100–313 · Leitura adventista clássica
E saiu outro cavalo, vermelho; e ao seu cavaleiro, foi-lhe dado tirar a paz da terra para que os homens se matassem uns aos outros; também lhe foi dada uma grande espada.
Ap 6:4 (ARA)
O cavalo vermelho recebe uma grande espada e o poder de tirar a paz da terra. Na leitura adventista é o tempo das perseguições do Império Romano contra os cristãos, de cerca de 100 a 313; o vermelho lembra sangue. O Comentário Bíblico Adventista acrescenta que o vermelho também pode indicar a corrupção da fé por heresias, e que outra leitura vê o cavalo como as guerras que seguem a conquista de Roma.
Sob Trajano (98–117), Adriano e Marco Aurélio a perseguição foi esporádica e local. Décio inaugurou a perseguição em todo o império, em 250. A mais dura começou com Diocleciano em 303 e terminou com as medidas de tolerância de 311 a 313.
- Comentário Bíblico Adventista (SDA Bible Commentary), vol. 7, comentário a Ap 6:3-4 e a Ap 2:8-11
3º selo: o cavalo preto
313–538 · Leitura adventista clássica
Quando abriu o terceiro selo, ouvi o terceiro ser vivente dizendo: Vem! Então, vi, e eis um cavalo preto e o seu cavaleiro com uma balança na mão. E ouvi uma como que voz no meio dos quatro seres viventes dizendo: Uma medida de trigo por um denário; três medidas de cevada por um denário; e não danifiques o azeite e o vinho.
Ap 6:5-6 (ARA)
O cavalo preto leva uma balança, e uma voz marca trigo e cevada a preço alto e manda poupar o azeite e o vinho. A leitura adventista aplica o selo ao tempo depois da legalização do cristianismo, no século IV, quando a união entre igreja e Estado desvia a atenção para questões materiais e a vida espiritual empobrece. O Comentário Bíblico Adventista nota que balança e fome também podem simbolizar preocupação com o necessário para viver; azeite e vinho seriam a fé e o amor a preservar. Período: 313 a 538.
O preço do texto, uma medida de trigo por um denário, o salário de um dia, era de 8 a 16 vezes o normal, segundo o comentário. Em 313 vem a liberdade de culto aos cristãos; em 321, a lei dominical de Constantino; em 325, o Concílio de Niceia; em 476, cai o Império Romano do Ocidente. O período se encerra em 538 na leitura adventista.
- Comentário Bíblico Adventista (SDA Bible Commentary), vol. 7, comentário a Ap 6:5-6 (preços, com base em Cícero) e à Nota Adicional ao cap. 2 (p. 753)
4º selo: o cavalo amarelo
538–1517 · Leitura adventista clássica
E olhei, e eis um cavalo amarelo e o seu cavaleiro, sendo este chamado Morte; e o Inferno o estava seguindo, e foi-lhes dada autoridade sobre a quarta parte da terra para matar à espada, pela fome, com a mortandade e por meio das feras da terra.
Ap 6:8 (ARA)
O quarto cavalo é amarelo, cor de palidez e de morte; o cavaleiro se chama Morte, e o Hades, o mundo dos mortos, o segue. A leitura adventista aplica o selo ao período de 538 a 1517, a Idade Média de apostasia e perseguição religiosa, que começa no mesmo ano dos 1260 anos. A série espada, fome, peste e feras mostra uma sociedade que se desfaz. Com este selo, os quatro cavaleiros ficam no passado: a leitura adventista os espalha pela história e não os coloca num período curto no fim.
538: o Comentário Bíblico Adventista aponta o fim do cerco ostrogodo a Roma e a vigência do decreto de Justiniano como início do domínio papal. A Cruzada Albigense (1209–1229) e, a partir de 1231, a Inquisição papal atingiram dissidentes religiosos. 1517: Lutero publica as 95 teses, e o período se encerra.
5º selo: as almas sob o altar
1517–1755 · Leitura adventista clássica
Quando ele abriu o quinto selo, vi, debaixo do altar, as almas daqueles que tinham sido mortos por causa da palavra de Deus e por causa do testemunho que sustentavam. Clamaram em grande voz, dizendo: Até quando, ó Soberano Senhor, santo e verdadeiro, não julgas, nem vingas o nosso sangue dos que habitam sobre a terra?
Ap 6:9-10 (ARA)
No quinto selo, João vê sob o altar as almas dos mortos por causa da palavra de Deus. Clamam “até quando?”, recebem vestes brancas e o pedido de esperar mais um pouco. É imagem: o sangue dos sacrifícios corria à base do altar, e aqui representa os mártires; a cena não descreve mortos conscientes (crença 26). A leitura adventista aplica o selo à perseguição da Idade Média tardia e, sobretudo, à Reforma e depois, de cerca de 1517 a 1755. A resposta do céu garante que a causa de Deus vence.
Entre 1517 e 1755 houve perseguição religiosa em vários países da Europa. Dois episódios conhecidos: a Noite de São Bartolomeu, que atingiu protestantes franceses, em agosto de 1572, e a Páscoa Piemontesa, ataque às comunidades valdenses, em abril de 1655. 1755: o terremoto de Lisboa abre o 6º selo.
6º selo: os sinais no céu e na terra
desde 1755 · Leitura adventista clássica
Vi quando o Cordeiro abriu o sexto selo, e sobreveio grande terremoto. O sol se tornou negro como saco de crina, a lua toda, como sangue, as estrelas do céu caíram pela terra, como a figueira, quando abalada por vento forte, deixa cair os seus figos verdes…
Ap 6:12-13 (ARA)
O sexto selo traz sinais no céu e na terra: terremoto, sol negro, lua como sangue, estrelas caindo. A leitura adventista os liga a três fatos que já aconteceram, na ordem do texto: o terremoto de Lisboa (1755), o Dia Escuro da Nova Inglaterra (1780) e a chuva de meteoros de 1833. O que falta do selo (Ap 6:14-17) é a volta de Cristo: o céu se enrola como pergaminho, e os habitantes da terra perguntam quem poderá subsistir (Mt 24:29-30). O selo começou em 1755 e vai até a volta de Cristo.
1º de novembro de 1755: o terremoto de Lisboa destrói a cidade e é sentido em boa parte da Europa e do norte da África. 19 de maio de 1780: escuridão em plena manhã sobre a Nova Inglaterra, hoje atribuída a fumaça de incêndios florestais; à noite a Lua apareceu avermelhada. 13 de novembro de 1833: grande chuva de meteoros, vista na América do Norte.
Ap 7: o selamento e os 144 mil
antes do fim da graça · Há leituras diferentes na igreja
(…) dizendo: Não danifiqueis nem a terra, nem o mar, nem as árvores, até selarmos na fronte os servos do nosso Deus. Então, ouvi o número dos que foram selados, que era cento e quarenta e quatro mil, de todas as tribos dos filhos de Israel…
Ap 7:3-4 (ARA)
Ap 7 interrompe os selos e responde à pergunta de Ap 6:17: quem poderá subsistir? Selar é marcar posse e aprovação, como o lacre num documento. Na leitura adventista, o selo de Deus é a aprovação sobre o caráter do seu povo, e a literatura clássica o liga ao sábado como sinal de lealdade; a crença 20 chama o sábado de sinal de santificação, sem usar a palavra “selo”. Os 144 mil têm duas leituras na igreja: número literal dos vivos na volta de Cristo, ou número simbólico de todo o povo de Deus, o Israel espiritual (Ap 14:1-5).
Quanto à precisão do número, há duas explicações: contagem real, como os 5.000 homens contados em Mt 14:21, ou forma de dizer totalidade, com 12 tribos e 12 mil de cada uma. Em 1901 Ellen White aconselhou a não fazer controvérsia sobre quem compõe os 144 mil, por não ajudar espiritualmente (Mensagens Escolhidas, vol. 1, p. 174-175).
- Comentário Bíblico Adventista (SDA Bible Commentary), vol. 7, comentário a Ap 7 e 14:1-5 (o selo, o número, a grande multidão)
- Ellen G. White, Mensagens Escolhidas, vol. 1, p. 174-175 (Manuscrito 26, 1901; Selected Messages, book 1, no original em inglês)
- Crença fundamental 20: o sábado (sinal de santificação, prova de lealdade)
- Ellen G. White, O Grande Conflito, cap. 38 (GC 605-606, no original em inglês)
7º selo: silêncio no céu
na volta de Cristo · Há leituras diferentes na igreja
Quando o Cordeiro abriu o sétimo selo, houve silêncio no céu cerca de meia hora.
Ap 8:1 (ARA)
Ao abrir o sétimo selo, há silêncio no céu por cerca de meia hora, e o texto não explica o motivo. A leitura adventista o liga à volta de Cristo, com duas explicações no Comentário Bíblico Adventista: os seres celestiais deixam o céu para acompanhá-lo, ou o silêncio é de expectativa diante do que vem. A “meia hora” também tem duas leituras: pelo princípio dia-ano (explicado em “As 2300 tardes e manhãs”), cerca de uma semana, que os adventistas costumam seguir, ou só um período curto.
Ap 8–11 · sete trombetas
As sete trombetas
395 até a volta · Há leituras diferentes na igreja
Sete anjos recebem sete trombetas. Ao soar de cada uma, um juízo atinge a terra, o mar, as águas e os astros, até que a sétima anuncia o reino de Cristo e o santuário se abre no céu. Ap 8:2–9:21; 11:15-19, paráfrase
Em Ap 8–11, sete anjos tocam sete trombetas: juízos dentro da história, não as sete últimas pragas de Ap 16, que vêm só no fim. A leitura clássica, de Uriah Smith (autor adventista do século XIX), liga as quatro primeiras às invasões que derrubaram Roma no Ocidente, a quinta e a sexta a poderes políticos do Oriente e a sétima a 1844. Teólogos adventistas, como Jon Paulien e Ranko Stefanovic, aplicam os símbolos a outros alvos: Jerusalém, a Roma pagã, o secularismo, a crise final. Em 2012, um ex-diretor do Instituto de Pesquisa Bíblica da igreja escreveu que ainda não há interpretação final.
Datas da leitura clássica: de 395, ano da morte do imperador Teodósio I, a 476, queda do Império Romano do Ocidente, para as quatro primeiras; de 1299 a 1449 para a quinta; de 1449 a 1840 para a sexta; 1844 para a sétima. Os cards seguintes detalham cada período e as datas alternativas.
1ª a 4ª trombetas: Roma cai no Ocidente
395–476 · Há leituras diferentes na igreja
Os quatro primeiros anjos tocam: saraiva e fogo com sangue sobre a terra, um grande monte em chamas lançado ao mar, uma estrela chamada Absinto sobre rios e fontes, e o sol, a lua e as estrelas atingidos em um terço. Uma águia anuncia três ais para o que vem. Ap 8:7-13, paráfrase
Uriah Smith, autor adventista clássico, vê aqui as invasões que desfizeram o Império Romano do Ocidente: os godos de Alarico (1ª), os vândalos de Genserico, com sua força naval (2ª, o monte lançado ao mar), os hunos de Átila (3ª) e a queda do último imperador em 476, sob Odoacro (4ª). Sol, lua e estrelas seriam imperador, senado e cônsules. Hoje essa leitura tem menos adesão: Jon Paulien, Ranko Stefanovic e outros teólogos adventistas veem juízos sobre Jerusalém, a Roma pagã e a apostasia cristã.
Teodósio I morreu em janeiro de 395 e os godos de Alarico logo se armaram; Roma foi saqueada em 410. Genserico tomou Cartago em 439 e saqueou Roma em 455. Átila invadiu a Gália (451) e a Itália (452) e morreu em 453. Em 476, Odoacro depôs o imperador Rômulo Augústulo, data tradicional do fim do Império Romano do Ocidente.
5ª trombeta: os gafanhotos
1299–1449 (na leitura clássica) · Há leituras diferentes na igreja
Foi-lhes também dado, não que os matassem, e sim que os atormentassem durante cinco meses. E o seu tormento era como tormento de escorpião quando fere alguém.
Ap 9:5 (ARA)
Gafanhotos com poder de escorpião atormentam por cinco meses. Uriah Smith e o pregador milerita Josiah Litch leem aqui o poder político-militar islâmico, dos califados árabes ao Estado otomano. Pelo princípio dia-ano (cada dia profético vale um ano; Nm 14:34, Ez 4:6), cinco meses de 30 dias são 150 anos: de 27 de julho de 1299 a 1449. O alvo da leitura são exércitos e Estados, não uma religião nem quem a pratica. Outros autores adventistas veem as Cruzadas, a Contrarreforma ou o secularismo; Mervyn Maxwell mantém o poder islâmico, com outras datas.
Smith dá 27 de julho de 1299 para o primeiro ataque de Osmã, fundador do Estado otomano, ao território de Nicomédia, a partir de Gibbon; historiadores discutem entre 1299 e 1302 a data da batalha de Bapheus, ali perto. Em 1449, Constantino XI subiu ao trono bizantino. Constantinopla só caiu em 1453.
6ª trombeta: os anjos do Eufrates
1449–1840 · Há leituras diferentes na igreja
dizendo ao sexto anjo, o mesmo que tem a trombeta: Solta os quatro anjos que se encontram atados junto ao grande rio Eufrates. Foram, então, soltos os quatro anjos que se achavam preparados para a hora, o dia, o mês e o ano, para que matassem a terça parte dos homens.
Ap 9:14-15 (ARA)
Quatro anjos presos no Eufrates são soltos para "a hora, o dia, o mês e o ano". Uriah Smith vê o poder otomano: os anjos seriam os quatro sultanatos da região do Eufrates, e o período, pelo princípio dia-ano (um dia profético, um ano), 391 anos e 15 dias, de 27 de julho de 1449 a 11 de agosto de 1840, data que o pregador Josiah Litch previu em 1838. Mervyn Maxwell e William Shea mantêm os otomanos, mas contam de 1453 a 1844; Paulien e Stefanovic leem o texto como a crise final. A leitura trata de um poder político, não de um povo.
Em 15 de julho de 1840, o Tratado de Londres reuniu Grã-Bretanha, Áustria, Prússia, Rússia e o Império Otomano diante da revolta de Muhammad Ali, do Egito. Smith relata o ultimato entregue em Alexandria em 11 de agosto; ele e Ellen White (O Grande Conflito, cap. 18) leem a aceitação dessa tutela pelo sultão como cumprimento. Historiadores lembram que o Império Otomano durou até 1922.
- Uriah Smith, Thoughts, Critical and Practical, on the Book of Daniel and the Revelation (ed. de 1882), comentário a Ap 8–12
- Ellen G. White, O Grande Conflito, cap. 18 (Um reformador americano); edição em inglês, Project Gutenberg
- Ángel M. Rodríguez, Issues in the Interpretation of the Seven Trumpets of Revelation, Ministry, jan. 2012 (ex-diretor do Instituto de Pesquisa Bíblica)
- Wikipedia, Convention of London (1840)
7ª trombeta: o templo aberto no céu
desde 1844 · Leitura adventista clássica
Abriu-se, então, o santuário de Deus, que se acha no céu, e foi vista a arca da Aliança no seu santuário, e sobrevieram relâmpagos, vozes, trovões, terremoto e grande saraivada.
Ap 11:19 (ARA)
Uriah Smith, autor adventista clássico, situa o começo do toque da 7ª trombeta no fim dos períodos proféticos de Daniel, em 1844 (Ap 10:6-7). Ela anuncia o reino de Cristo (11:15), o tempo de julgar os mortos (11:18) e a abertura do santuário no céu, com a arca da aliança à vista (11:19). A arca guardava as tábuas da lei no lugar santíssimo; por isso a leitura liga a cena à fase final do ministério de Cristo no santuário celestial, que a crença 24 descreve e para a qual cita Ap 11:19.
1844 é o ano em que terminam as 2300 tardes e manhãs de Dn 8:14, contadas a partir de 457 a.C. Foi também o ano do Grande Desapontamento: em 22 de outubro, o dia que os milleritas, seguidores do pregador William Miller, esperavam para a volta de Cristo.
Ap 11: as duas testemunhas
538–1798 (1793–1797) · Leitura adventista clássica
Darei às minhas duas testemunhas que profetizem por mil duzentos e sessenta dias, vestidas de pano de saco.
Ap 11:3 (ARA)
Na leitura clássica, as duas testemunhas são o Antigo e o Novo Testamento (as oliveiras e os candelabros de Zc 4). O pano de saco indica obscuridade. Pelo princípio dia-ano (Nm 14:34, Ez 4:6), os 1260 dias são 1260 anos, de 538 a 1798, o mesmo período de Dn 7:25. No fim, a besta do abismo as "mata" por três dias e meio, três anos e meio: a Revolução Francesa, que entre 1793 e 1797 reprimiu o culto cristão. Depois elas se levantam: a Bíblia volta a circular, com as sociedades bíblicas do século XIX.
Em outubro de 1793 a Revolução trocou o calendário cristão pelo republicano e, em 10 de novembro, celebrou a Festa da Razão em Notre-Dame. Em 1795 o culto público foi legalizado com limites; em 1797 o Conselho dos Quinhentos ouviu o relatório de Camille Jordan sobre a liberdade de culto, e o golpe de 4 de setembro desse ano voltou a reprimir o clero. A Sociedade Bíblica Britânica e Estrangeira nasceu em 1804.
Ap 10: o anjo e o livrinho
1840–1844 · Leitura adventista clássica
Tomei o livrinho da mão do anjo e o devorei, e, na minha boca, era doce como mel; quando, porém, o comi, o meu estômago ficou amargo. Então, me disseram: É necessário que ainda profetizes a respeito de muitos povos, nações, línguas e reis.
Ap 10:10-11 (ARA)
O anjo forte, lido em geral como Cristo, traz um livrinho aberto. Para os adventistas, é o livro de Daniel, selado "até ao tempo do fim" (Dn 12:4) e aberto a partir de 1798. Comê-lo é doce na boca e amargo no estômago: a alegria de esperar a volta de Cristo em 1844 e o Grande Desapontamento, quando ele não veio. O v. 11 manda continuar: ainda era preciso profetizar a muitos povos, nações, línguas e reis. A leitura vê aí a missão que seguiu ao desapontamento.
William Miller, pregador batista, começou a pregar em público em 1831 a volta de Cristo por volta de 1843. Em agosto de 1844, Samuel Snow propôs, a partir de Dn 8:14, o dia 22 de outubro, que passou sem a volta de Cristo. Ellen White relata que o movimento ganhou fôlego em 1840, quando se cumpriu a previsão de Josiah Litch sobre o fim da 6ª trombeta.
Ap 13 · a besta do mar
Apocalipse 13: as duas bestas
538 até a volta · Leitura adventista clássica
Vi emergir do mar uma besta que tinha dez chifres e sete cabeças e, sobre os chifres, dez diademas e, sobre as cabeças, nomes de blasfêmia. (…) Vi ainda outra besta emergir da terra; possuía dois chifres, parecendo cordeiro, mas falava como dragão.
Ap 13:1, 11 (ARA)
Na leitura historicista (os símbolos acompanham a história em ordem, até a volta de Cristo), há aqui dois poderes. A besta do mar é o papado, o governo da Igreja de Roma, visto como sistema político-religioso, de 538 a 1798. A da terra é uma nação que cresce sem derrubar outras, lida como os Estados Unidos. A profecia fala de sistemas e instituições, não de pessoas nem de fiéis. No fim, os dois poderes se unem para impor adoração; Apocalipse 14 mostra o chamado de Deus em contraste.
Em 1798, tropas francesas entraram em Roma e o papa Pio VI foi levado preso; morreu na França em 1799. No mesmo período, os Estados Unidos fixavam a Constituição (1787) e a liberdade religiosa (Primeira Emenda, 1791).
A besta que sobe do mar
538–1798 · Leitura adventista clássica
Vi emergir do mar uma besta que tinha dez chifres e sete cabeças e, sobre os chifres, dez diademas e, sobre as cabeças, nomes de blasfêmia. A besta que vi era semelhante a leopardo, com pés como de urso e boca como de leão. E deu-lhe o dragão o seu poder, o seu trono e grande autoridade.
Ap 13:1-2 (ARA)
A besta reúne leopardo, urso e leão, as três primeiras feras de Daniel 7, e recebe poder do dragão. A leitura clássica, já presente na tradição protestante, a identifica com o papado como sistema político-religioso que cresceu sobre o Império Romano: o sistema, não as pessoas. Os 42 meses de Ap 13:5 são 1260 dias; pelo princípio dia-ano (um dia profético vale um ano; veja o card das 2300 tardes e manhãs), 1260 anos: 538 a 1798. A literatura adventista afirma haver cristãos sinceros em todas as igrejas, inclusive na comunhão católica romana (Ellen White, O Grande Conflito, cap. 25, p. 449).
538: termina o cerco godo a Roma (março); a leitura adventista vê aí o início da supremacia papal, marco que muitos historiadores não adotam. 1798: tropas francesas ocupam Roma e o papa Pio VI é levado preso; morre na França em 1799. A profecia, nessa leitura, trata do poder político do sistema nesses 1260 anos.
A ferida mortal e a cura
1798 em diante · Leitura adventista clássica
Então, vi uma de suas cabeças como golpeada de morte, mas essa ferida mortal foi curada; e toda a terra se maravilhou, seguindo a besta;
Ap 13:3 (ARA)
Uma das cabeças da besta aparece golpeada de morte, mas a ferida é curada e a terra se maravilha. A leitura clássica vê a ferida em 1798, quando o sistema perdeu o poder político, e a cura na recuperação gradual de influência, não na volta do domínio medieval. A ferida é a perda de um poder, não a morte de uma pessoa. Os fatos citados como cura variam entre os autores; são leitura, não consenso. Em Ap 13:12 a ferida já aparece curada quando a segunda besta age, no fim.
1798: Roma é ocupada pelos franceses e o papa Pio VI morre prisioneiro na França em 1799. 1929: no Tratado de Latrão, a Itália reconhece a soberania da Santa Sé (o governo central da Igreja Católica) sobre o Estado da Cidade do Vaticano (44 hectares). Autores adventistas citam o tratado como passo da recuperação; é leitura, não fato de sentido único.
O número 666
— · Há leituras diferentes na igreja
Aqui está a sabedoria. Aquele que tem entendimento calcule o número da besta, pois é número de homem. Ora, esse número é seiscentos e sessenta e seis.
Ap 13:18 (ARA)
João diz que é número de homem e manda calcular. Na época, letras também valiam números, então um nome podia virar uma soma. Leitura clássica: as letras-numerais romanas de Vicarius Filii Dei (o vigário do Filho de Deus) somam 666; é conta difundida entre adventistas por Uriah Smith, e O Grande Conflito não a traz. Fontes católicas contestam que seja título oficial do papa. Outra leitura é simbólica: seis fica um a menos que sete, o número da plenitude; três seis marcam o poder humano que imita o divino e fica aquém dele.
A expressão aparece na Doação de Constantino, documento forjado na Idade Média, e foi repetida em textos medievais. Conta: VICARIVS 112 + FILII 53 + DEI 501 = 666 (só valem I, V, C, L e D). O título oficial do papa é Vicarius Christi. Dentro da igreja adventista há estudiosos que preferem outra leitura.
A imagem da besta e a marca
futuro, sem data · Leitura adventista clássica
A todos, os pequenos e os grandes, os ricos e os pobres, os livres e os escravos, faz que lhes seja dada certa marca sobre a mão direita ou sobre a fronte, para que ninguém possa comprar ou vender, senão aquele que tem a marca, o nome da besta ou o número do seu nome.
Ap 13:16-17 (ARA)
A imagem da besta é a união entre igreja e Estado: igrejas que pedem ao poder civil para impor sua fé, como o sistema medieval fez. A marca é, na leitura clássica, a guarda do domingo imposta por lei contra a consciência, no conflito final. O sábado é o sinal oposto, de lealdade ao Criador (crença 20): o selo de Deus e a marca seriam dois sinais de adoração, um em cada dia. Ninguém recebe a marca hoje, só quando vier a imposição e a escolha consciente (Ellen White, Evangelism, p. 234-235). Deus aceita a sinceridade de quem guarda o domingo hoje (O Grande Conflito, p. 449).
Daniel 3 é o modelo bíblico: uma imagem, adoração obrigatória, pena de morte. Em 321, Constantino decretou o domingo dia civil de descanso, antecedente que a leitura adventista aponta. Ap 13 não dá data para a imposição final, e este quadro também não.
Babilônia, a grande
na história e no fim · Leitura adventista clássica
Seguiu-se outro anjo, o segundo, dizendo: Caiu, caiu a grande Babilônia que tem dado a beber a todas as nações do vinho da fúria da sua prostituição. (…) Ouvi outra voz do céu, dizendo: Retirai-vos dela, povo meu, para não serdes cúmplices em seus pecados e para não participardes dos seus flagelos;
Ap 14:8; 18:4 (ARA)
Babilônia vem de Babel, confusão. Na Bíblia, a mulher simboliza uma igreja: fiel, se pura; infiel, se corrompida. A leitura clássica vê em Babilônia (Ap 14:8; 17–18) a confusão religiosa que une religião apóstata (afastada da fé que diz professar) e poder civil, sentada sobre a besta, com raiz no sistema medieval e alcance maior no fim. O alvo é o sistema, não as pessoas: em "Retirai-vos dela, povo meu" (Ap 18:4), Deus mostra que tem povo dentro dela e o chama.
No movimento do advento, "Caiu, caiu a grande Babilônia" foi pregado desde 1843 (Charles Fitch) e ganhou força no verão de 1844. Para Ellen White a queda é progressiva: só se completa quando a união da igreja com o mundo se firmar em toda a cristandade; o cumprimento pleno de Ap 14:8 é futuro (O Grande Conflito, cap. 21).