Abri o Layoffs.fyi essa semana e o número me parou: mais de 113 mil pessoas demitidas em tecnologia só em 2026 — uma média de cerca de 825 por dia, um ritmo 33% maior que no mesmo período de 2025. E o detalhe que vira manchete: quase metade desses cortes cita a IA como fator. Meta, Cisco, Oracle foram explícitas — estão cortando gente enquanto empurram adoção de IA.
Como alguém que vive de programar, eu poderia entrar no pânico ou no negacionismo. Mas a leitura honesta mora no meio — e tem um porém importante que quase ninguém conta.
O "AI washing": nem todo corte é culpa da IA
Tem um fenômeno chamado "AI washing": empresa que ia cortar de qualquer jeito — por juros altos, por excesso de contratação na pandemia, por meta de margem — e usa a IA como narrativa bonita pro corte. Não fui eu que inventei isso: o próprio Sam Altman, da OpenAI, admitiu que "tem gente culpando a IA por demissões que fariam de qualquer forma", e analistas do Deutsche Bank escreveram que o "AI redundancy washing" seria uma marca de 2026.
Então a verdade tem duas pernas: a IA está, sim, mudando o trabalho de quem programa — mas ela também virou a desculpa conveniente pra decisões financeiras que nada têm a ver com modelo de linguagem. Misturar as duas coisas é o que gera o pânico errado.
O que realmente muda pra quem programa
Tirando o ruído, sobra uma mudança concreta, e ela não é nova — só acelerou: o valor está saindo de "eu escrevo código" para "eu entrego resultado".
- Escrever código virou commodity mais rápido. A IA escreve o boilerplate, o CRUD, o teste óbvio. Cobrar pra digitar isso na mão fica difícil. Cobrar pra resolver o problema do negócio, não.
- Quem entende o problema sobe; quem só entende a sintaxe desce. A parte difícil sempre foi saber o que construir e por que — a IA não tira isso de você, ela te dá mais alavanca pra fazer.
- Ter ativo próprio protege. Vender só hora te deixa exposto a um corte de planilha. Ter um produto, uma audiência, um portfólio que trabalha por você — isso é o que sobra quando o vento muda.
O que eu faço a respeito (na prática)
Não é discurso: é o que tem aqui no site. Eu uso a IA como alavanca pra render mais, e em vez de só vender horas, eu construo ferramentas e pequenos produtos que ficam no ar atraindo gente — transcrição que roda no navegador, gerador de contrato, gestão de vulnerabilidade. Cada um resolve um problema real e me apresenta a quem precisa. É o oposto de depender de uma vaga: é montar o seu próprio ativo, um tijolo por vez.
A IA não vai te demitir. Quem entrega mais resultado com ela na mão é que vai ocupar o lugar de quem não entrega. A boa notícia é que isso está 100% no seu controle.
Perguntas frequentes
A IA está mesmo causando as demissões? Em parte. Quase metade dos cortes de 2026 cita IA (Layoffs.fyi), mas há muito "AI washing" — corte que a empresa faria de qualquer jeito, com a IA de desculpa (admitido pelo próprio Sam Altman e por analistas do Deutsche Bank).
O que um dev deve fazer? Mover o valor de "escrevo código" pra "entrego resultado": usar IA como alavanca, dominar o problema do negócio e, se der, construir ativos próprios em vez de vender só horas.
Fontes: Layoffs.fyi, CNBC, Crunchbase News (dados de 2026).